09 agosto, 2008
A história e as estrelas.
12 julho, 2008
O Avatar (A Rosa e a Cruz).

A rosa na cruz simboliza a personalidade da alma que se evolui e se torna rica em experiência e manifestações por meio das aprovações, adversidades, tribulações e sofrimentos do corpo físico e da existência física. Assim, a rosa e a cruz se tornaram a imagem da expressão da alma através da experiência física e humana.26 maio, 2008
O Avatar (Após a Crucificação)

São perguntas que nunca me saíram da cabeça: se Deus é o pai supremo, o todo poderoso, por quê deixaria o seu filho padecer numa cruz em nome de todo o nosso pecado? Não poderia ser de um outro jeito mais simples? Pois é, cada segmento religioso nos dá uma explicação, mas somos obrigados a acreditar na fé quando a explicação não supre o raciocino lógico. Pra mim, isso nunca me bastou e agora sei o porquê; é como se sempre soubesse que um dia teria a chance de presenciar a extraordinária resposta de toda a minha vida.
Pilatos recebera a ordem de Herodes de soltar aquele que o chamavam de Rei dos Judeus, pois, não havia nada que o incriminasse a ponto de crucificá-lo, penalidade esta dada àqueles em que os crimes fossem bárbaros ou àqueles que subjugassem as leis impostas pelo império Romano. E Jesus apenas atacava a discriminação aos pobres e doentes que não podiam se banhar nas piscinas públicas (lavagem do corpo antes das orações no interior dos grandes templos). Jesus também era contra o comércio religioso e das riquezas acumuladas no interior dos templos. Mais nada, como já disse, nada que o fizessem ser crucificado. O medo do império era que Jesus se tornasse um herói após a injusta crucificação, e por isso, Herodes decidiu suspender tal castigo. Mas quando o soldado portador da mensagem imperial chegou junto à Pilatos, já era tarde. O mesmo soldado ainda correu na tentativa de salvar a vida de Jesus, mas não adiantou. Chegou a enfiar a ponta de uma lança nas costelas de Jesus e julgou que estivesse morto, mas não estava. Vi quando o sangue jorrou ainda vivo e liquefeito. Quando colocaram Jesus no chão, ainda perguntaram: “Quebramos-lhes as pernas?” (costume local após a crucificação): “Não”.Respondeu o soldado confuso.
Pude ver ao horizonte o céu escurecer assustadoramente em raios e trovões anunciando uma grande tempestade. Ainda pensei nos efeitos eletromagnéticos da tempestade interferir com a energia biopsicoenergética liberada por mim neste desdobramento quase físico de meu corpo. A viagem no tempo pela esteira magnética da vida sempre existiu e sempre foi feita, mas sempre teve os seus riscos e dificuldades. É bom lembrar agora que as maiores invenções não foram inventadas, mas lembradas ou trazidas do futuro. (Falarei disso em uma outra postagem)
Jesus estava pálido. Os cortes eram profundos e fatais. Lágrimas escorriam por entre os olhos e diferenciavam por entre as gotas de suor. Se Jesus era portador de autos conhecimentos de cura, ele já não estaria no processo de recomposição vital? E por entre os guardas que jogavam com a sorte a vestimenta de Jesus, familiares e devotos levaram o seu corpo enrolado num lençol branco e aromatizado por ervas nativas.
Jesus foi um homem incrível que lutou por ideais humanos, antes de divinos. A sua voz ainda ecoava por entre os corações daqueles que o levavam para o sepulcro. Parecia ecoar também por entre as montanhas, por entre as árvores que dançavam com o vento e, com certeza, por entre os tempos que viriam a seguir. Jesus conseguiu ser Jesus por dois mil anos e talvez, por muitos mais anos alem do meu tempo.
continua....
26 abril, 2008
O Avatar. (O Sermão que não está na Bíblia).

Mais uma vez estou na Palestina presenciando momentos do passado. E como já disse anteriormente, uso conhecimentos alienígenas para tal façanha, orquestrada por Phaíbe, um dos componentes de um grande grupo que tem a finalidade de mudar, através dos sonhos, a mentalidade humana. Não posso mexer no passado e tenho que impedir quem tentar fazê-lo - como já aconteceu algumas vezes -, pois se assim não fosse, o efeito dominó dentro dos novos acontecimentos, para o futuro, o nosso futuro, seria devastador. Mas não sou único e ninguém em especial, pois se surpreenderiam como existe uma infinidade de pessoas,de alienígenas e de estranhas entidades vivendo este momento magnífico de nossa história que é a passagem do nosso último mestre aqui na terra, Jesus. Descobri que existe até um grupo de cientistas de várias nacionalidades da minha época presenciando também, a vida de Jesus. Como eles chegaram aqui fisicamente, não sei explicar. Podem acreditar ou não naquilo que escrevo, mas para mim, é uma experiência única.
Em toda a minha vida nunca tinha visto um céu tão vivo e estrelado. O cheiro que me chegava nas narinas parecia descrever a paisagem e toda a sua exuberância, e o frescor daquele clima exótico, entorpecia-me a alma em uma outra viagem colorida: sentia a poesia pelo nariz.
Apesar de não entender aramaico, o ouvido do coração era impecável em seu discernimento. Então, era fácil entender o que eles diziam.
Observava Jesus aproximando-se de José, que sentado numa pedra em frente a uma pequena fogueira, desenhava alguns rabisco com um fino graveto. José havia se ausentado do grupo há bastante tempo, pois ele sempre fora um homem difícil de se lidar. Sempre falava alto e era raro encontrá-lo em silêncio: ou no som de sua voz, ou nos barulhos que fazia em sua volta, as vezes, desastradamente. Não entendia a missão que o seu mestre lhe dera: pescar homens.
A vida já era difícil e o governador Pilatos tinha acabado de aumentar os impostos. Como poderia ganhar o sustento e iniciar uma empreitada com um homem que estava mais para um anarquista?
Jesus sentou-se ao seu lado e nada falou. Pedro sabia da presença do mestre ao seu lado, mas

também nada falou. Os dois ficaram alí por alguns minutos contemplando as labaredas que produziam um verdadeiro show de imagens e estalos incríveis. Jesus, com uma fina e longa vareta, que só agora José se dera conta que ele a segurava, separou uma das brasas junto ao fogo. Era uma brasa ofuscante e linda. Completamente incandescente. E os dois ficaram a olhando até que começou o processo de resfriamento. Uma fina camada de cinza a cobriu a apagou-a por completo. Então, Jesus com a sua fina vareta a empurrou novamente para a fogueira. E como um passe de mágica, o pequeno carvão sem vida tornou-se novamente uma linda pedra em brasa com suas cores vivas e reluzentes. Jesus ainda em seus movimentos firmes e tranquilos, levantou-se calmamente. O mesmo fez José acompanhando-o apenas alguns metros. E José ainda vendo Jesus penetrando na escuridão, gritou para o seu único e verdadeiro mestre.
- Obrigado pelo sermão mestre, amanha estarei com vocês.
Eu, um viajante do futuro, ainda que usando a meditação e exercícios de relaxamento para um plano sutil por uma dimensão no etéreo, vivenciando a tecnologia do meu tempo como rápidos e sofisticados automóveis, telefones celulares, computadores e o homem na lua, venho para o passado e aprender com um homem que é capaz de ensinar sem mencionar uma única palavra.
Este era Jesus.
16 março, 2008
O Avatar(A batalha Final).
Foram quarenta dias na mais completa solidão, mas quando senti o chão arenoso da Palestina, vi o como foi útil conhecer-me na intimidade nesta solidão profunda.Só na linha ténue que separa o comodismo do desespero de sobreviver, podemos saber quem realmente somos e o que somos capazes de fazer na mais completa loucura.
Cada grão aquecido pelo sol, construía agora o meu corpo dando a velha forma antes perdida nas margens do tempo entre o futuro e o passado. E ainda dormente pela viagem, podia sentir o cheiro doce de azeite e um forte cheiro de estrume.
É fácil de imaginar que Jesus não ficou quarenta dias sem comer e sem beber em pleno deserto, mas sozinho em algum canto em sua solidão profunda na mais absoluta reflexão de sua vida. E a sua consciência divina, com certeza, travara uma verdadeira batalha pessoal no que seria induvidavelmente, as tentações diabólicas de seu auto ego.
Também assim foi um pensamento errado em que se acredita que os avateres subiam grandes montanhas para falarem com Deus, mas assim como no deserto de suas almas, a elevação de seus pensamentos supremos, figuravam as grandes escaladas em grandes montanhas. E foi assim que descobri que a história antiga é cheia de figurações que realçam os anseios da imaginação.
Descobri e entendi que tudo que a gente quer fica justamente fora da zona de conforto, que é necessário sacrifícios para se ter o sucesso em adquirir os nossos desejos. Não devemos desistir nunca dos nossos sonhos e sempre dizer para nós mesmos que o fracasso é impossível. A determinação é tudo para o sucesso.
Escutando aquele homem simples falar de coisas simples dando ênfase da extraordinária mágica de criação, realmente é uma verdadeira viagem, principalmente quando se é conhecedor do futuro e sabe que serão poucas as pessoas que o seguirão com invejável fervor.
Na verdade, Jesus pregava o amor. Ele não falava de religiões, de obrigações religiosas ou da necessidade de rituais místicos para se alcançar os reinos dos céus. Apenas, amar uns aos outros como se ama a si mesmo. E é só. A sua determinação em ter paciência com os homens de pouca fé era impressionante. Quando escutava as suas mensagens, as suas estórias, os seus sermões, eu poderia ser dono do mundo se quisesse. Jesus era um ser humano admirável.
Entre as centenas de pessoas havia um homem que me fitava sistematicamente. Estranhei pois não era fácil me perceberem. Phaíbe me treinara com sucesso na arte de me passar por "insignificante" - dizia ele. Podia subir em pleno palanque diante de milhares de pessoas e nenhuma delas iria perceber. Nada de mágico, mas ser alguém sem importância usando movimentos simplórios, isso sim, era magnífico.
E há o mais difícil, pode não parecer: É não mexer no passado, não induzir o pensamento de ninguém, não pegar e não colocar nada de um lugar para o outro. Estes atos iniciaria uma cadeia de acontecimentos inimagináveis e irreparáveis.
Por isso, estranhei o poder de observação daquele homem. Algo estava acontecendo e não sabia o que era.Decidi fazer o mais lógico: misturar-me na multidão e tentar esconder-me sem grande alarde.- Caifás! - Uma mulher gritou apontando-me para aquele homem barbudo acompanhado de dois grandes guardas empunhando as suas lanças. Lançaram-se ao meu encalço.
Nunca senti tanta agilidade ao correr: benefícios da adrenalina.
Vi ao longe que não poderia ir mais além, pois um rio estava em meu caminho, mas ainda assim, corri desesperadamente ao seu encontro. Lá ao longe, vi que os três homens ainda corriam atrás de mim. Olhei para o rio e pulei. Talvez aqueles homens não soubessem nadar - pensei -, e a minha fuga já estaria traçada. Mas no fundo do rio, deixando a correnteza me levar, ainda pude observar que alguma coisa caira no rio. Pressentia que não era nada de bom. Com grande esforço nadei para mais fundo tentando atravessar para a outra margem até que o ar me faltara e me vi obrigado a subir para respirar. Os homens lançaram as suas lanças e sorri quando me vi fora do alcance delas. Respirei três vezes até que alguém me puxara para baixo. Ainda que guardasse o terrível desejo de acabar com a minha vida, por uns instantes fiquei entorpecido por sua beleza. Os olhos verdes, ainda que submersos, ainda brilhavam infinitamente. Os lábios carnudos ainda que cerrados pelo esforço de segurar a respiração, eram perfeitamente torneados e convidativos. O seu corpo parecia despido com aquela roupa colada ao corpo. Via perfeitamente todo o contorno de seu quadril e todo o volume de seus seios. E os cabelos negros, numa dança exótica ao rítimo de uma maré imaginária, levava-me para mais fundo numa viagem que me adormecia vagarosamente desprendendo-me de minha alma.
- Invoco aos seres do reino angelical para que se acerquem de meus quatro corpos pela ação do amor divino. Em nome do Eu sou o que sou, invoco aos hierarcos dos seres dos elementos e aos elementos que servem no 3° raio. Aos seres do ar, fogo e água e aos da terra, livrai-me com o raios da chama rosa.
Miguel, Miguel, Miguel, lançai a chama do 3º raio e LIVRA-ME.
A sombra de um grande dragão surgiu por trás daquela linda mulher, e quando parecia lançar um ataque, o monstro gritou ao ver e sentir uma espada flamejante de cor rosa penetrar-lhe o peito. Phaíbe me ensinara a usar com responsabilidade os sete raios em meu benefício e se essa era a hora ou não, foi a primeira coisa que me veio a cabeça. A linda mulher, desmaiada, afundava cada vez mais. Usei toda a minha força para alcança-la e tentar leva-la à tona. Mas não deu.
Cheguei a gritar quando consegui segurar um tronco preso numa espécie de planta que flutuava com a correnteza do rio e fiz grande esforço para o ar entrar em meus pulmões. Ao longe, os homens me olhavam desanimados pela minha fuga, e no espelho da água, a imagem distorcida de um arcanjo do 3º raio que sorria pra mim. A esta altura, não sabia se realmente estava vendo alguma coisa. Só sabia, que eu estava vivo.
Estava cansado e não foi difícil decidir que estava na hora de ir para casa. O sol da Palestina esquentava muito, mesmo já se escondendo ao horizonte. A noite seria fria como era de costume neste lado do planeta: Dia quente, noite fria; Do jeito que eu estava, não resistiria a esta brusca mudança de temperatura. E hoje, meu coração está frio, ainda que tenha sobrevivido a uma grande batalha. As vezes, o inimigo se torna um grande aliado, pois ele nos faz fortes e resistentes para sobrevivermos nas outras maiores batalhas.
Obs.: Em memória de uma linda e grande guerreira.
08 fevereiro, 2008
O Avatar ( A segunda batalha)

Ainda assim, em sua totalidade histórica, a chegada de Jesus àquele grande portal aos inúmeros acessos à cidade de Jerusalém, foi espantosamente indiferente.
Sentado em uma mula magra, cavalgava calmamente por entre um povo indiferente aos acontecimentos alheios. Foi bem verdade que alguns que o conheciam, ou, ouviram falar, se ergueram curiosos na tentativa de observar aquele homem simples de túnica branca. E eu, com certa ansiedade, corri rua Ápia acima e esperei junto ao portal por aquele homem que mudaria a historia dos dois longos e confusos milênios à frente.
Jesus ao passar por duas sentinelas romanas, antes de cruzar o enorme portal, olhou-me fixamente como se soubesse de toda a minha história. A impressão que tive naquele olhar cheio de compaixão, foi que ele sabia exatamente quem eu era e o que eu estava fazendo ali, apesar de não haver surpresas por ele conseguir me "ver" - sim porque no mundo mágico ver e enxergar são poderes completamente diferentes .
Era um homem moreno de olhos claros, cabelos negros, lisos e compridos; Possuia uma barba rala por fazer e suas mãos eram compridas e cheias de calos dando a certeza que possuia uma profissão manual; Usava uma sandália batida feita de algum tipo de vegetal; Usava tambem uma túnica branca, limpa e aromatizada. Descobri mais tarde que raramente sorria e sempre estava com os olhos cheios de lágrimas. A sua voz era firme e a força de seu timbre conseguia prender a atenção de milhares de ouvidos numa área considerável, ainda que em pleno campo aberto.
Não era um homem tão diferente dos outros, mas possuia uma incrível devoção a ensinar e mostrar as suas convicções. Não gritava àqueles que o escutava, mas normalmente falava baixo dando como exemplos estórias, crônicas e provérbios. Andava tambem com prostitutas, com ladrões, com pobres, com deficientes e com os excluídos, mas sempre um grupo estranho o observava de longe; Um grupo que alguns os chamavam de essênios.Tambem havia um grupo que o escutava curioso na esperança de um milagre, talvez. Mas eu pessoalmente, senti que a maioria das pessoas, as mais simples devo dizer, se enriqueciam com as palavras do que ao ver pequenos milagres.
Não parecia ter a mínima indignação em tocar, abraçar ou acariciar um aleijado, um mendigo, leproso ou um velho. As suas palavras nos chamavam para um mundo sem sofrimento repleto de riquezas espirituais. Falava de um pai misericordioso que controlava todas as leis da natureza dando significado às consequencias após um ato expressivo de nossa parte, caso as corrompessem. Dava ênfase ao sacrifício o tornando sagrado aos olhos do Pai. "- Ao homem de boa vontade..." dizia , " -...caberia os reinos dos céus."
Jesus era um homem formidável com a alma banhada por poesias. Ele amava, sofria, ria, fazia coco e xixi. Andava muito com uma mulher que se chamava Madalena. Possuia vários irmãos. Alguns deles de um outro relacionamento. Sim, Jesus foi um excluído. A história é comprida e fascinante.
Assim, como todos os avatares do passado, Jesus se dedicava a maior parte de seu tempo a ensinar aos seus discípulos as doutrinas e os princípios da mensagem celestial que levariam na missão junto ao povo e de prepará-los para a obra missionária que teriam que leva-la adiante, depois que ele partisse.
Algo estava errado. Aquela velha sensação me invadia terrivelmente o peito. Por entre as pessoas que passavam de um lado a outro, observei rapidamente aqueles olhos verdes que me olhávam ameaçadores. Era ela, a minha alma gêmea negativa - dizia Phaíbe.
Corri por entre as pessoas tentando aproximar-me dela, mas já não estava mais ali. Notei que corria ao longe e decidi ir ao seu encalço.
Logo, um nôvo cenário criou forma. O deserto era quente e rochoso e o calor sufocante e assustador. Ela estava ali, ao longe, parada, como se já estivesse há alguns minutos me aguardando. Parei defensivamente procurando pensar rápido, aliás, Phaíbe me prevenira contra um tal de Caifás e não desta mais nova inimiga que queria acabar comigo não sabia o por quê.
Levantou os braços e alguma coisa aconteceu. Escutei ao longe um som estrando de um animal já conhecido. Só lembrei que som era esse, quando ví descendo por um caminho rochoso dois grandes porcos que corriam em minha direção. Os maiores que já vi em toda a minha vida.
Mas a surpresa e o pavor aumentaram quando vi que aqueles dois porcos se transformaram em
animais estranhos ainda maiores. Arrastavam-se
por entre as pedras soltando sons horriveis.
"-Phaíbe, o que eu faço?" -, perguntei em vão.
Corri desesperadamente como quem corre da morte. Chutei algumas pedras, lanhei-me em alguns espinhos e engolí gramas de areia que só naquele momento tinha notado o como era fina.
Não havia saída. Deparei-me com um pequeno penhasco ao fim de um caminho escarposo. A altura era suficiente para destroçar qualquer corpo que rolasse por aquela descida íngreme.
Aqueles animais me olhavam enfurecidos babando consideravelmente. Pensei que não podia acabar assim. O que tinha feito senão tentar ajudar as pessoas numa empreitada solitária sem ter a crença delas em minha realidade? Não podia acabar assim, mas se essa era a vontade de Deus, ajoelhei e disse a primeira palavra que veio em minha mente.
- Jesus.
Os dois animais gritaram terrivelmente e transformaram-se novamente em dois grandes porcos. Correram em minha direção e ignoraram-me tirando um fino do meu corpo trêmulo. Só abri os olhos quando escutei dois estranhos impactos ao fim do pequeno abismo. Os dois porcos se lançaram para a morte.
A mulher ao longe me observava. Levantei e gritei.
- O QUE QUER DE MIM?
E ela com a mão direita fez um sinal estranho para depois passar o polegar direito de um lado a outro em sua garganda. Entendi que ela queria a minha morte. E se foi.
Sentei no chão quente e chorei. Parei após alguns minutos quando observei o som suave do vento ao longe em um pequeno arbusto. Lembrei de minha mãe que dizia "Homem não chora". Homem não chora diante do insustentável. Um guerreiro não chora diante do inevitável, e se guerreiro ele for, as lágrimas saciarão a sua sêde em plena batalha.
Continua...
19 janeiro, 2008
O Avatar.

É preciso explicar que foram feitas inúmeras viagens(desdobramentos) na tentativa incansável de manter a ordem cronológica dos acontecimentos.
A primeira observação que pude notar foi quanto a data de nascimento do nosso mestre: Há uma diferença de seis a sete anos em nosso calendário.
Outro ponto significativo é que não tenho nenhum conhecimento das diversas línguas e dialetos falados na época. Podia diferenciar o aramaico do grego, o italiano da língua judáica, mas as outras...
Mas uma coisa que Phaíbe me ensinara foi sentir a palavra, o pensamento, o sentimento. E de alguma forma pude entender o que se passara numa época tão misteriosa, quanto aos seus personagens.
Descobri fascinado que a verdade é bem mais fabulosa do que a ficção. E descobri tambem, que as únicas e verdadeiras anotações registradas pelo sistema, pelo governo dominante, são as cobradas pelos impostos.
(nota do autor).
Foram meses de preparativos. Phaíbe dedicava-se como nunca
nos cuidados de minha saúde. Qualquer deslize ficaria preso a um
Estranhos rituais e uma alimentação que não me atrevo a mencionar fizeram parte de minha dieta por um longo tempo. A disciplina era primordial e até uns estranhos e doloridos exercícios eram necessários.
Phaíbe explicava que Jesus não foi e nem seria o último dos avatares. Antes dele citara um homem chamado Mória-el que já havia introduzido no Egito a doutrina da regeneração como recompensa do arrependimento. Falou tambem de Buda, Crisna, Zoroastro, todos seguidores do monoteísmo em épocas onde vários deuses eram cultuados.
Foi categórico ao lembrar-me que jamais poderia mexer nos acontecimentos, isso significava que eu jamais poderia influenciar pensamentos alheios na forma de indução magnética, - lembro que tudo que existe é o produto de uma manifestação elétrica natural, sutil ou etérica, e , o pensamento é uma manifestação elétrica, ainda que psíquica.
Aconselhou-me a controlar a raiva caso cruzasse com algum personagem como Judas. Deveria sim, observar atentamente um tal de Caifás. Na hora, não entendí o porquê.

Fiquei a olhar aquela bela ave de rapina se perder ao longe por entre as montanhas de pouca vegetação. Ainda sentia o seu cheiro, pois ela havia me ajudado a chegar em segurança pelo tempo, a uma época tão distante da minha com uma impecável dança por entre as nuvens, por entre os ventos, por entre os pensamentos. Agora, a discrição era primordial. Qualquer descuido de minha parte - avisava Phaíbe -, poderia ser fatal.
Aquela bela águia parecia saber o que tinha acontecido. Fiquei imaginando se ela saberia a hora de minha volta.
Procurei não pensar.
A palestina na época não era uma nação homogênea com idioma próprio ou interesses que mantivessem unido todo o povo, mas sim, um território de muitas nações com povos que falavam línguas diferentes. Os que professávam o judaísmo pertenciam a um grupo que se havia originado quando do êxodo ou saída do Egito ao comando do profeta Moises. Aturdidos e impulsivos, qualquer motivo os induziam a julgar e a sentenciar com o apedrejamento até a morte. O mínimo era a difamação e a exclusão social do indivíduo - se bem que as mulheres eram as maiores vítimas. Pra se ter idéia, até os filhos de mães que não tivesse contraido matrimônio, eram excluídos pelos outros. Todos os costumes eram cheios de preconceitos, supertições e maldições.
Por mais que tentasse me controlar, a ansiedade de presenciar os acontecimentos ao vivo e a cores me deixava eufórico. Aliás, tudo que sabia era um resto forjado de uma história complexa manipulada pela antiga igreja cristã. É sabido que a própria igreja mandara destruir, após analisar fervorosamente, todos os registros encontrados da época. As anotações deixadas pelas testemunhas oculares fugiam extraordinariamente das afirmações públicas quanto ao nascimento, vida e crucificação de Jesus.
Não entendia o que diziam, mas sentia o que realmente pensávam, como se o sentimento fosse uma linguagem própria ao meu entendimento.
O barulho das cidades não eram mecânicos e nem elétricos mas produzidos por instrumentos pesados e rústicos. Gritarias, marteladas, bodes, crianças, pássaros e relinchos compunham uma simplória melodia diária. As mulheres falávam baixo e suas ações eram na maioria das vezes simples e submissas. Era normal sentir o cheiro de incensos, de oliva, de uva e fezes de animais.
Os homens tinham por costume de se banharem em piscinas públicas antes de suas preces. As suas vestes, apesar do incrível calor, eram compridas limpas e aromatizadas.
Ao contrário do que se pensa, a crucificação de Jesus não foi feita pelos judeus em protesto contra seus ensinamentos ou punição à sua tentativa de se tornar seu líder, o que observei nos comentários em pequenos grupos, é que Jesus não passava de um subversivo para o sistema Romano, para os grandes sacerdotes ortodóxicos. O que não seria difícil de comparar os dois conflitos ideológicos no século XXI; enquanto as doutrinas modernas pregam uma mensagem de desespero, que "-Vós todos sois filhos do mal, nascestes em pecado e viveis em pecado e em pecado morrereis" e isso tudo com um dedo divino enorme apontando, acusando e mandando-o para o inferno, e, que "-Há o reino dos céus afastado de vós e não poderá ser alcançado jamais, a não ser que nasçais novamente e através da regeneração vos purifiqueis e sejais salvos dos pecados que haveis herdado". E era justamente o que Jesus fazia, contrariando idéias antigas impostas ao povo com sangue e morte.
O pobre, doente e aleijado não podiam lavar-se nas piscinas públicas para atravessarem as grandes muralhas ao acesso nos luxuosos palácios de oração, e Jesus combatia isso com amor. As pessoas buscavam nele não os grandes milagres que diziam fazer, mas as palavras de grande riqueza que os enchiam de esperanças. "-Bem aventurados os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus", "-Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus". "-Onde um ou mais postar uma pedra ou tronco e orar ao pai em meu nome, lá estarei. E não nas pedras dos grandes palácios e mansões..."(Igrejas?).
Notei que acontecia algo fazendo com que as pessoas levantassem o pescoço na tentativa de ver um homem chegando: um homem que me parecia simples e que cavalgava numa mula magra. Era ele, o rei dos judeus.

continua...




